Ética a Nicômacos: uma introdução

Podemos considerar Aristóteles como o pai da ética, pois ele desenvolveu uma obra histórica, pois considera éticas anteriores e sistemática, ao propor novas questões e soluções. 
 
A Ética a Nicômacos ganha este nome por acreditar-se que teria sido uma edição das notas de aula do filho de Aristóteles que tinha esse nome. Ela faz parte do corpo aristotélico de obras dedicadas a ética, que inclui, ainda, a Ética a Êudemos (notas de aula de Êudemos, discípulo de Aristóteles) a Ética Maior (que apesar do nome é a menor das três). 

1. A relação entre ética e política


Sobre a relação entre a ética e a política feita por Aristóteles, Kury (2001), considera:

Com efeito, para Aristóteles a ética é parte da ciência política e lhe serve de introdução. O objetivo da ética seria então determinar qual é o bem supremo para as criaturas humanas (a felicidade) e qual é a finalidade da vida humana (fruir esta felicidade da maneira mais elevada - a contemplação); este é o conteúdo da Ética a Nicômacos em linhas muito gerais. Depois de determinados estes dois pontos, haveria que investigar qual a melhor maneira de proporcionar às criaturas humanas este bem supremo e assegurar-lhe a fruição. Já que o homem, como diz Aristóteles, é um animal social, e a felicidade de cada criatura humana pressupõe por isto a felicidade de sua família, de seus amigos e de seus concidadãos, a maneira de assegurar a felicidade das criaturas humanas é proporcionar um bom governo à sua cidade (no sentido grego de cidade-estado); há que determinar, então, qual é a melhor forma de governo, e este é o assunto da Política.

2. A estrutura


A Ética a Nicômacos divide-se em 10 livros: os quatro primeiros apresentam uma sequência de certo modo lógica. Nos livros seguintes, a lógica pode parecer um tanto confusa; mas isso provavelmente se deve ao fato de serem anotações de aula.


No Livro I, Aristóteles tenta determinar quais coisas são boas para o homem, incluindo a busca pelo que é o bem supremo (ou simplesmente o Bem). O livro termina com uma divisão das faculdades humanas em uma que planeja e outra que realiza; esta conclusão leva à divisão da excelência (virtude) humana em intelectual e moral.

Os Livros II, III e IV tratam das várias formas de excelência (virtude) moral; a partir do capítulo 1 do Livro II até o capítulo 5 do Livro III temos um exame global da excelência moral, e o restante do livro III e todo o Livro IV contém a discussão das várias formas de excelência moral.

Os Livros V, VI e VII, de acordo com a tradição, são comuns à Ética a Êudemos e à Ética a Nicômacos, o que indica que essa parte da doutrina aristotélica permaneceu inalterada ao longo dos tempos.

No Livro V, é examinada a justiça, uma das duas formas fundamentais de excelência moral não discutidas nos livros II, III e IV.

No Livro VI, são examinadas as várias formas de excelência intelectual.

Os capítulos 1 a 10 do Livro VII contém o exame de duas disposições morais situadas entre a excelência moral e a deficiência moral; os capítulos restantes desse livro apresentam um exame do prazer.

Os livros VIII e IX tratam da amizade e são os que mais parecem destoar do restante da obra, por seu detalhamento exaustivo do assunto.

E, finalmente, o Livro X, sobre a felicidade, conclui adequadamente a obra. Seus parágrafos finais são um roteiro e uma transição para a Política.

Para saber mais...


Recomendo a edição da UnB, da Ética a Nicômacos. Essa edição, além de ter uma tradução mais precisa, conta com introdução e notas do tradutor, Mário da Gama Kury, muito úteis para auxiliar o entendimento.



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