Biografia: Michel Foucault


O filósofo francês Michel Foucault foi um dos mais originais pensadores do século XX. Sua obra causou impacto não só na Filosofia, mas também na História, na Psicologia e nas Ciências Sociais. 

Vida e formação

Paul-Michel Foucault nasceu em 15 de outubro de 1926, em Poitiers, na França. Pertencia a uma família de renomados médicos - seu pai, Paul Foucault, era cirurgião e professor da Escola de Medicina local. Por isso, o jovem Michel Foucault recebeu a educação de um jovem nessas condições: do secundário ao Liceu em sua cidade natal, passando pela Sorbonne e pela École Normale Supérieure da Rua D'Ulm, ambas em Paris. Por Sorbonne, Foucault recebeu seu diploma em Filosofia, em 1948; pela École Normale, formou-se em Psicologia, em 1949.

Em 1952, tornou-se professor na Universidade de Lille. De 1955 a 1958, lecionou na Universidade de Uppsala, na Suécia, cidade onde ficou até 1958 e na qual escreveu Loucura e Desrazão - História da Loucura na Idade Clássica, tese de doutorado defendida em 1961, na Sorbonne, diante da banca composta por Henri Gouhier (presidente), Georges Canguilhem (relator da tese), Jean Hyppolite, Daniel Lagache e Maurice de Gandillac. Como tese complementar à História da loucura (na época, exigia-se para o doutorado uma tese secundária que acompanhava a tese principal), Foucault apresenta uma tradução da Antropologia do ponto de vista pragmático, de Kant (já comentada aqui), precedida por uma longa introdução intitulada Gênese e estrutura da Apologia de Kant. 


As três fases da obra de Foucault


A obra filosófica de Foucault pode ser dividida em três fases:

  • Arqueologia (1961 – 1970): História da Loucura (1961| tese de doutorado, acompanhada de uma tese complementar sobre a antropologia de Kant), O nascimento da clínica (1963), As palavras e as coisas (1966), Arqueologia do saber (1969). É uma fase na qual Foucault se voltou principalmente (mas não exclusivamente) para investigações relativas à constituição histórica de "saberes" em discursos qualificados como verdadeiros, com a consequente interdição e/ou desqualificação de outros.

  • Genealogia (1971 – 1978): Vigiar e punir (1975), História da Sexualidade I – A vontade de saber (1976). Nesse período é admitido como professor no Collège de France e passa a focar mais no poder e a ter maior atuação política. Começam os cursos: A ordem do discurso (aula inaugural, que marca a virada da 1ª para a 2ª fase), A vontade de saber (1971), Teorias e instituições penais (1972), A sociedade punitiva (1973), O poder psiquiátrico (1974), Os anormais (1975), Em defesa da sociedade (1976). Aqui surgem as noções de biopoder e biopolítica. Segurança, território e população (1977), O nascimento da biopolítica (1979), Do governo dos vivos (1980). A partir de 1978-80, descobre uma literatura que chama de anti-maquiavel, que amplia a ideia de política. Também passa a pensar a ideia de governo ou da arte de governar. Estudos sobre a verdade, poder e subjetividade. 

  • Ética (último Foucault): História da Sexualidade II (O uso dos prazeres) e III (O cuidado de si). Ambos de 1984. Cursos: Subjetividade e verdade (1981), Hermenêutica do Sujeito (1982), O governo de si e dos outros (1983), A coragem da verdade (1984). Fase da estética da existência e do cuidado de si, em que se volta aos gregos e romanos, não para agir como eles, mas observando certos princípios. Foco na subjetividade, mas não no sujeito relacionado ao conhecimento.

Para saber mais

CASTELO BRANCO, Guilherme. Michel Foucault. Filosofia e Biopolítica. Belo Horizonte: Autêntica, 2015. (Coleção Estudos Foucaultianos)

YAZBEK, André Constantino. 10 lições sobre Foucault. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2015.


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