Resumo: O caso Wagner (Nietzsche)



O caso Wagner é uma crítica mordaz de Nietzsche ao compositor Richard Wagner, que considera símbolo da decadência da sociedade alemã no fim do século XIX. Mas que argumentos sustentam essa crítica? Por que Wagner é o símbolo da decadência alemã?

Logo de início, Nietzsche fala de sua aproximação de Wagner, alguns anos antes, mas afirma que distanciar-se do compositor é inevitável, pois o filósofo deve superar seu tempo e não ser marcado por ele, como é o caso de Wagner. Este sim é o símbolo de sua época decadente – uma doença. E Nietzsche precisa “curar-se”.

Ao comparar as obras de Wagner e Bizet, Nietzsche considera que a música de Bizet é boa, sensível, bela. Faz bem aos que a ouvem. Bizet teria encontrado uma melhor concepção do amor e expressa isso em sua música, ao passo que Wagner, influenciado pelo Cristianismo, abandona seus primeiros ideais de revolução pela música e busca a grandeza, o sublime ao explorar o tema da redenção em todas as suas composições, incluindo o Anel, obra sobre a qual Nietzsche tece maiores comentários em sua censura.

Essa pretensa grandeza na música de Wagner faz adoecer os seus ouvintes, pois excita os nervos. Até os instrumentos usados são irritantes. Por isso, a obra como um todo não tem beleza e nem melodia. Ainda que as partes isoladas de sua ópera possam até serem bonitas, o todo da obra carece de harmonia. Mesmo assim, Nietzsche pondera que o sucesso alcançado por Wagner na Alemanha se deve ao fato de que essa sociedade decadente reconhece a si própria nas composições wagnerianas.

Nietzsche avalia a obra de Wagner como feia e, com ácida ironia, conclama seus leitores a se tornarem feios ouvindo Wagner. Critica o idealismo wagneriano em tentar criar uma música com ideais mais sérios, elevados, não servindo apenas para o prazer. Dessa forma, reafirma que Wagner é o símbolo da decadência alemã. Decadência essa que também aparece na literatura e na política (através da democracia).

Nietzsche afirma que a música de Wagner estraga o gosto, pois o compositor, na verdade é mais ator que músico e, por isso, manipula suas composições para que atendam ao seu mau gosto e influenciem psicologicamente as pessoas a concordarem com seus ideais. Tudo isso feito de modo intencional, objetivando vender uma música falsa como verdadeira. Faz um paralelo com a alimentação dizendo que a música de Wagner é vazia e não alimenta a alma dos ouvintes.

As críticas também se voltam para o enredo: Nietzsche o considera repleto de cenas fortes, porém com pouca ou nenhuma lógica no desenvolvimento. A construção dos personagens e a utilização deles no enredo igualmente são ruins, o que prejudica toda a ópera.

A temática wagneriana é tida como pobre, pois se preocupa com as situações vividas pela moderna sociedade decadente e não dá a devida importância ao puro sentido mítico, que Nietzsche pensa ser necessário à música. 

Nietzsche destaca, ainda, a falta de talento e a sagacidade de Wagner em criar uma “fórmula” de manipulação musical que possa ser usada em qualquer tipo de composição a fim de atrair as pessoas e torná-las obedientes às suas idéias. Assim, a música seria um meio para Wagner e não um fim em si mesma. Por isso, era necessário incluir literatura nas obras wagnerianas para que elas ganhassem um sentido maior, mais elevado. Nesse ponto, Nietzsche reconhece Wagner como um legítimo discípulo de Hegel.

Finalmente, Nietzsche exige que o teatro afaste-se do lugar que pertence à música e que as pessoas fiquem atentas ao perigo que os atores representam para a sociedade ao tentar ocupar um lugar indevido.

Ao final do livro, no “Pós-escrito” e no “Segundo pós-escrito”, Nietzsche ainda trata de algumas razões pelas quais não se deve seguir Wagner: reafirma que ele tenta impor seu gosto aos outros e assim corromper o gosto alheio; que ele é manipulador e uma doença social. Afirma ainda que a decadência é geral: Wagner é apenas o símbolo, mas outros músicos da época são tão decadentes quanto ele. E somente uma pessoa bem instruída poderia libertar os ouvintes do mau gosto de seu tempo.

No “Epílogo”, Nietzsche busca esclarecer o que considera moderno e o que julga decadente, identificando esse último como sendo tudo aquilo que é derivado do Cristianismo e/ou de seus princípios.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

NIETZSCHE, Friedrich. O caso Wagner: um problema para músicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

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Quer conhecer mais sobre Nietzsche? Assista ao vídeo "Nietzsche e as dificuldades".

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