Uma reflexão sobre a Filosofia no Enem 2017




Em recente reportagem (1) sobre o Exame Nacional do Ensino Médio de 2017 (ENEM 2017), as questões de Filosofia foram consideradas como entre as que ofereceram maiores dificuldades entre os candidatos e as candidatas. Os professores entrevistados apontam o caráter “conteudista” das questões como um dos fatores para tal dificuldade. Significa dizer que era esperado que os candidatos e candidatas apresentassem alguma afinidade com o rol de tendências filosóficas apresentadas, sendo avaliado não o exercício reflexivo-filosófico, mas o reconhecimento de escolas de pensamento em suas características mais relevantes. 

Compreendendo a influência de exames nacionais na composição dos currículos de nossas escolas, a inflexão “conteudista” das questões de Filosofia neste último ENEM permite-nos uma série de questões sobre modelos de avaliação da disciplina, como também o modo como a experiência filosófica é oferecida em nossas escolas. Ora, é pelo dito “sucesso de seus alunos nos vestibulares” que muitas escolas se apresentam como um bom negócio aos pais, os quais, por sua vez, anseiam justificadamente pelo bom encaminhamento de seus filhos e filhas. Nesse sentido, muitas vezes o processo de formação escolar é confundido com a boa preparação para testes. O impacto desse treinamento na educação é enorme e, no caso da Filosofia, precisamos avaliar o quanto é contrário às pretensões formativas previstas nos próprios documentos oficiais que sustentam a importância deste conteúdo no Ensino Médio. 

Continue lendo: A Filosofia no Enem - ANPOF

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