Histórias e anedotas sobre Diógenes, o cínico


Já fizemos um post aqui intitulado Quem eram os cínicos? Ali você encontra uma breve apresentação sobre Diógenes e Antístenes. Vale a pena conferir. E hoje, trazemos algumas histórias e anedotas relatadas por Diógenes Laércio (que não é o mesmo Diógenes, o cínico!), em seu texto Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres

Como vocês sabem, a Filosofia Antiga, mais do que um conjunto de teorias, era uma forma de vida. Por isso, filósofo mesmo era aquele que praticava o que vivia. Os cínicos foram bem radicais quanto a isso. Eles não escreveram nada. Então, o que sabemos de sua filosofia vem dos relatos de outros filósofos e doxógrafos (pessoas que registravam informações e ideias de outras), que contam como os cínicos viviam e agiam. Confira abaixo:

Conta Teôfrastos no seu Megárico que certa vez Diógenes, vendo um rato correr de um lado para outro, sem destino, sem procurar um lugar para dormir, sem medo das trevas e não querendo nada do que se considera desejável, descobriu um remédio para suas dificuldades. Segundo alguns autores ele foi o primeiro a dobrar o manto, que tinha de usar também para dormir, e carregava uma sacola onde guardava seu alimento; servia-se indiferentemente de qualquer lugar para satisfazer qualquer necessidade, para o desjejum ou para dormir, ou conversar; sendo assim, costumava dizer, apontando para o pórtico de Zeus e para a Sala de Procissões que os próprios atenienses lhe haviam proporcionado lugares onde podia viver. (D.L., VI.22)

No verão ele rolava sobre a areia quente, enquanto no inverno abraçava as estátuas cobertas de neve, querendo por todos os meios acostumar-se às dificuldades. (D.L., VI.23)

Certa vez em que ninguém prestava atenção a um discurso sério seu, ele começou a assobiar; vendo o povo aglomerar-se em sua volta, ele censurou a multidão por haver-se aproximado atentamente para ouvir uma tolice, enquanto para ouvir coisas sérias ninguém havia chegado perto. Diógenes dizia que os homens competem cavando fossos e esmurrando-se, mas ninguém compete para tornar-se moralmente excelente. (D.L., VI.27)

Em sua obra Diógenes à Venda Mênipos afirma que quando Diógenes foi capturado e posto à venda, perguntaram-lhe o que sabia fazer; "Comandar os homens", disse ele, e deu ordens ao leiloeiro para chamá-lo no caso de alguém querer comprar um senhor. (D.L., VI.29)

Alguém o levou a uma casa magnífica e o proibiu de cuspir; diante disso ele pigarreou profundamente e expectorou no rosto da pessoa, pois não encontrava, disse ele, um lugar pior. (D.L., VI.32)

Conta Hécaton no primeiro livro de suas Sentenças que certa vez Diógenes gritou: "Atenção, homens!", e quando muita gente acorreu ele brandiu o seu bastão dizendo: "Chamei homens, e não canalhas!" Conta-se que Alexandre, o Grande, disse que se não tivesse nascido Alexandre gostaria de ter nascido Diógenes. (D.L., VI.32)

Enquanto em certa ocasião o filósofo tomava sol no Cranêion, Alexandre, o Grande, chegou, pôs-se à sua frente e falou: "Pede-me o que quiseres!" Diógenes respondeu: "Deixa-me o meu sol!" (D.L., VI.38)

Apesar de tudo os atenienses o amavam. Tanto era assim que quando um rapaz lhe quebrou o tonel os atenienses surraram o rapaz e deram outro tonel a Diógenes. Dionísios, o estoico, afirma que após a batalha de Caironea ele foi detido e levado à presença de Felipe; perguntando-lhe este quem ele era, sua resposta foi: "Um observador de tua ambição insaciável." Por essa resposta Diógenes conquistou a admiração do rei e foi posto em liberdade. (D.L., VI.43)


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